FULLPOWER LAP – Audi R8 V8 4.2 tem série especial de 15 unidades, câmbio manual e upgrades em escape e admissão para chegar aos 450 cv. Custa mais de R$ 550 mil, seu conjunto é animal e no cronômetro virou…

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Atualmente, a maioria das marcas oferece esportivos com câmbios cheios de tecnologias como os automatizados de dupla embreagem. É fato, inclusive, que nada supera esta transmissão quando o assunto é velocidade das trocas das marchas. Mesmo assim, a Audi do Brasil apostou em uma versão V8 4.2 de seu R8 com câmbio manual de seis velocidades. Com upgrades no motor de 450 cv, esta nave de R$ 558 mil é para quem realmente quer se divertir e comandar o bólido. Disponível em apenas 15 unidades numeradas, faz de 0 a 100 em 4,2 segundos e chega aos 310 km/h de máxima. Ou seja: fortíssimo canditado a roubar o trono do Lap de seu irmão, o RS3, já que freios, suspensão e tração quattro do R8 sobram em eficiência.

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Para alegria do piloto Dennis Dirani, era a hora de acelerar um esportivo de verdade em Interlagos. O dia não estava dos melhores e uma leve garoa prejudicou um pouco as três voltas rápidas, mesmo com o sistema de tração quattro, integral, oferecido no esportivo da marca alemã. “Fiz as voltas com a eletrônica desligada e o carro se comportou muito equilibrado. Faltou motor para tanto conjunto”, disse. No vídeo que você acompanha em nosso canal youtube.com/fullpowertv, dá para notar a tocada limpa e a chuva fina no para-brisa. O superveoitão 4.2 de 32V ronca forte graças às mudanças no escape, com uma válvula especial que deixa tudo livre para girar até pouco mais de 8.000 rpm. A admissão recebeu novos filtros de ar para essa série especial e a central eletrônica compensa o fôlego extra com mais combustível e, consequentemente, mais força e cavalos (o convencional tem 420 cv e 43 kgfm de torque). Com o motor central, logo atrás do piloto e passageiro, é um escracho acelerar qualquer um desses 15 R8 especiais: grita muito a partir das 3.500 rpm.

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No console, “trilhos” para engate preciso das marchas exige cuidado nas trocas. Na foto acima, dá para ver que se a mão for na direção errada, vai dar besteira. E em quarta, a mais de 8.000 giros, enfiar uma terceira com força em vez da quinta certa é caixão e vela preta para algumas engrenagens… “O bom da transmissão manual está na decisão do piloto de como e quando será feita a troca, seja para cima ou reduzindo. Alguns câmbios automatizados passam marchas sem ser comandados ou são comandados e não obedecem. No manual, não há esse risco e ainda dá mais vontade de acelerar, fazer punta-taco com acelerador e freio juntos em uma tocada mais purista”, fala Dirani. Em Interlagos, os 1.560 kg do bólido exigiram de segunda a quinta marchas e as velocidades mais elevadas foram atingidas da Reta dos Boxes: 240 km/h. Muito estável, dava para enfiar marchas no meio de curvas e ganhar velocidade contornando numa boa. “A tração quattro dá segurança para cravar o pé no meio de curva e dificilmente perderá a frente ou a traseira. Dá para sentar o aço que ele fica no trilho o tempo todo”, comenta o piloto.

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Depois de percorrer os mais de 12 km das voltas do Lap, os freios ameaçaram uma perda de eficiência, porém nada alarmante que pudesse causar um acidente ou passar reto em alguma das curvas. O sistema tem discos ventilados e perfurados nas quatro rodas e pinças exclusivas, vermelhas, com a inscrição R8 em branco para essa série, à venda no Brasil apenas na cor Branco Ibis. Equipadaço Além das pinças e alterações de admissão e escape, as rodas e pneus deste V8 são 19”, como nos modelos que vêm com o V10 ­— o R8 V8 convencional vem com aros 18”. Os pneus são 235/35 (diant.) e 295/30 (tras.). Na tabela, ele custa R$ 558 mil, mas dá para encontrar com desconto. Afinal, não é todo dia que acorda um magnata disposto a colocar um apartamento ou uma casa num veículo top como esse. É evidente que vale o quanto custa, pois mesmo sendo esportivo, com suspensão e pneus baixos, se comporta bem e encara até as ruas esburacadas, aceita passeios em giro baixo e roda quieto quando o piloto desejar — o ronco só engrossa ao apertar o acelerador com vontade. É civilizado quando necessário e um jato quando provocado. Dirani cravou 1min53segundos na melhor de suas três voltas, mas admite que nenhuma delas foi 100% limpa, pois havia tráfego de outros carros uma hora, depois a adaptação com o câmbio de engates em trilhos.

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E, diferente dos demais carros em que citamos a necessidade de alguma alteração para um Track Day, nesse R8 Special, nada de mudanças mecânicas. Mas, um bom jogo de pneus, daqueles semi-slick, e pastilhas de freio mais racing, o deixaria mais grudado e na mão. O dono que quiser algo a mais deve atacar de R8 V10

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Texto: Eduardo Bernasconi

Fotos: João Mantovani