Texto: Giuliano Gonçalves / Fotos: João Mantovani

[Essa matéria foi publicada originalmente na FULLPOWER 103]

Depois de passar por diversas empresas de customização, esse Ford Tudor 1929 caiu nas mãos da equipe Powertech, em Curitiba (PR). Após quatro meses cercado por entusiastas fanáticos, ele recebeu o devido tratamento e se tornou, finalmente, um “Rat Rod”, como afirmaram os customizadores. Fomos até a empresa e conseguimos dar um rolê no carro. Apesar do visual “envelhecido”, ele funciona melhor do que muitos 0 km e vale uma boa grana — se você tiver bala na agulha, por R$ 90 mil leva a raridade para casa!FORD-TUDOR-RAT-FULLPOWER-2Quando digo que ele funciona melhor do que muitos carros atuais, me refiro ao ato de dar a partida no motor: o V8 Flathead (lançado originalmente nos Ford 1932) de 65 cv pega na hora, sem vacilar. Pilotar é outra realidade, e requer muito esforço — um carro para macho, de verdade! Direção dura, embreagem pesada, suspensão sem curso, cabine claustrofóbica… São apenas algumas das dificuldades para guiar o baixíssimo Tudor com teto de couro legítimo!bx-Fullpower

FORD-TUDOR-RAT-FULLPOWER-3Espaço para as pernas é luxo! Sendo assim, quem roda no passageiro é obrigado a dar aquela velha “cruzada de canelas” para se acomodar no banco de couro — esse, aliás, é muito confortável. Primeira engatada (para baixo, onde teoricamente seria a segunda de um câmbio normal), hora de sair com o Ford. É preciso segurar a enorme alavanca no lugar, caso contrário ela escapa e cai em ponto morto. Dobrar a esquina requer força nos braços e boa noção da dianteira (sem paralamas). Qualquer bobeada e o risco de estragar uma das rodas exclusivas (fabricadas pela própria Powertech, têm medidas de 17” na dianteira e 19” na traseira) é eminente!FORD-TUDOR-RAT-FULLPOWER-17Segunda engatada e fica cada vez mais nítido o bom funcionamento do motor. Paulo “Kuelo” Vilela, um dos cabeças da restauração deste Tudor, conta que “o trabalho impecável dos carburas Stromberg contribuem para a resposta imediata do acelerador”. Os carburadores, segundo Kuelo, são raros (e caros). Por sorte, ele encontrou um par no encontro de antigos de Lindóia (SP) e abraçou.FORD-TUDOR-RAT-FULLPOWER-15Lanternas traseiras foram doadas de um caminhão, enquanto a grade dianteira veio de um irmão mais novo, o Ford 1934. “Pegamos uma peça aqui, outra ali, e aos poucos demos outra cara para ele. No final, tivemos muito trabalho a fazer, pois a maioria das coisas estava pela metade”, lembra Kuelo. A parte elétrica era uma delas: faróis, lanternas, painel… Nada acendia! Agora, além de tudo funcionar corretamente, sequer um fio está à mostra.FORD-TUDOR-RAT-FULLPOWER-28BX Cral_610x200Apesar de claustrofóbico, o interior é bem montado, com componentes de bom gosto. O painel é um deles, original dos Ford 1941 — até o relógio na tampa do porta-luvas funciona perfeitamente. Maior, ele teve suas extremidades cuidadosamente encurtadas para caber no Tudor. Forros, apenas nas portas. “O espírito Rat Rod é esse mesmo, sem luxo algum, na lata. Nesse caso, o revestimento das portas é mais para não machucar os braços dos ocupantes”, brinca Kuelo. A ausência de forro, principalmente no teto, potencializa o som dos escapes dentro da cabine e causa certo desconforto.

FORD-TUDOR-RAT-FULLPOWER-22Conversando com o especialista, descobri como ele conseguiu atingir o visual socadão do “Rat”, mantendo boa altura da carroceria em relação ao solo. “A conta é simples: basta ‘subir o chassis’ e ‘abaixar a carroceria’”, confessou. O que ele quis dizer é que, na versão original, o chassis apoia a carroceria, enquanto nessa configuração ele praticamente cruza por dentro dela. Apenas essa “artimanha” elimina cerca de 30 centrímetros na altura. O restante é obtido com um “massacre” em parte do teto — coloque nessa brincadeira outros 30 cm. Pronto! Você já tem um legítimo rebaixado!

FORD-TUDOR-RAT-FULLPOWER-12Detalhes como tanque de combustível Igasa de 40 litros e pneus importados dos EUA — Firestone Deluxe Champion Gum-Dipped — finalizam a minuciosa restauração do Tudor 29. “Eu até me apeguei ao carro, pois sou o único que faço uns rolês com ele. Com certeza, não é um modelo para rodar no dia a dia, mas de vez em quando é bem legal tirar uma onda”, confidencia Kuelo.
Se esse Ford voltasse no tempo, entre as décadas de 40 e 50, com certeza faria parte da “nata” dos Hot Rods. Pois, além de bem-montado, tem muitas peças novas e requintadas. Visite nosso site e saiba mais sobre os Hot e Rat Rods!

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