Na lista dos carros mais blindados das grandes e violentas capitais do Brasil, Audi Q3, Range Rover Evoque e Volkswagen Tiguan estão sempre nas cabeças, figurando entre os primeiros. Como têm motor forte, seus donos não se importam com a perda de desempenho devido ao acréscimo de peso da “armadura” e rodam confortáveis e seguros em carros altos, luxuosos e tecnológicos. Além, claro, de garantir boa dose de status que este segmento dos SUV (Sport Utility Vehicle) proporciona.

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Para o trio de proprietários de Tiguan, Evoke e Q3 dessa matéria, no entanto, ao invés de pensar em segurança, a ideia foi aproveitar o turbo de fábrica para tirar o máximo de desempenho dos grandões. Com preparação eletrônica, além de kits de performance importados com troca de compressor, escape, pressurização, a viagem de fim de semana ou uma simples ida ao supermercado será muito mais Sport do que Utility! 

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Evoque forte!

dono deste Evoque não é novato quando falamos de carros modificados. Sócio da Nascar Powerchips, uma das empresas que mais prepara carros no Brasil, Marcos Eli vive plugado no computador atrás de novidades em preparação para aplicar em sua empresa, sempre ao som de um dinamômetro virando forte na calibração de novos projetos. Seu último brinquedo foi um BMW 335 Biturbo de quase 500 cv cheio de detalhes de performance. “Me diverti com o BMW, mas, honestamente, já estava irritado com sua altura”, conta, como quem confessa querer um pouco de conforto nessa vida! “Escolhi o Evoque pelo design e sabia que não teria o desempenho da BM”. Mas, isso não quer dizer que o Land Rover seria original…

Usando a especialidade da casa, tratou de entrar na central eletrônica em busca de alguns cavalos escondidos. Na mesma tocada, sem exageros, partiu para um sistema de admissão mais livre, com filtro de ar K&N. Poucas mudanças, porém suficientes para ir dos 240 cavalos originais aos 280 cv. “Melhorou a sensação de dirigibilidade e o delay da tração integrada 4X4, ”, diz Marcos, satisfeito com o resultado final da preparação, que também ostenta um Accelerator Box, da DTE System, que altera a resposta do pedal do acelerador. Indagado se valeria um kit de turbo maior para esse motor, responde: “Não. Esse é para passear”, completa.

Prova disso são os detalhes que ele fez para deixar o carro com sua identidade. Mandou um preto nas partes prateadas da carroceria e trocou as rodas pelo mesmo modelo orginal, porém no aro 20”. Depois, bastou um jogo de molas especiais, da H&R, para garantir seu mix perfeito entre conforto e esportividade. Na medida!

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Audi Q3

Aqui, a história quase se repete. Fabio Reolon, o outro “cabeça” da Nascar, não consegue segurar a ideia de ter carro original nem por um segundo e, diferente de Marcos, não se conteve na hora de preparar o SUV. Fanático por VW, variou dessa vez, mas não muito. Atacou de Q3 e mandou ver uma preparação pesada, que rende até 365 cv no  motor 2.0 TSI, o mesmo que equipa o Jetta. “A receita é a mesma usada nos VW, com um kit da APR na versão mais atualizada, a 3.1”, explica o preparador. Originalmente, essa Audi básica tem 170 cv.

Nesse pacote instalado, componentes como turbo, filtro especial, tubos, intercooler, até catalizador são para alto desempenho e o resultado aparece na prática. Em pista fechada, o preparador aferiu os ganhos de performance com o sistema Racelogic V-Box. O Launch Control (ou Controle de Largada, em português) arremessa a barca para frente e aproveita a tração nas quatro rodas para fazer o Audi ir de 0 a 100 km/h em apenas 5s6 — contra 8s2 originais!

Essa mudança drástica no comportamento do carro fez Fabio investir na dinâmica do conjunto todo. Primeiro, instalou um jogo de rodas réplicas de RS7 que garantem, além do visual esportivo, mais borracha em contato com o solo e melhor tração. Para melhorar o centro de gravidade, molas da H&R, importadas, rebaixam em quase duas polegadas a altura da Q3 e, para finalizar, pastilhas EBC Red otimizam as frenagens do Audi familiar.

Na cabine, o que diferencia o carro de Fabio de um modelo original é apenas o Sprint Booster, com opções de resposta do acelerador, e o sorriso do motorista, que se sente a bordo de uma versão RS do modelo, investindo pouco mais de R$ 16 mil para isso.   

Mão-de-obra, acerto e software

O mais incrível é a troca de mapas via alavanca do piloto automático, sistema patenteado pela APR que permite 4 programas, sendo eles : 1- original ; 2- Potência para gasolina Comum ; 3- potência para gasolina PODIUM e 4 – Modo manobrista ( limita a 70 km/h , 4.500 rpm sem pressão de turbo )  o carro pode retornar a potência original de 170cv em 10 segundos e retornar a 365cv quantas vezes quiser.

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Volkswagen Tiguan

Cliente da Nascar, o empresário Bruno H. revolucionou os carros de sua casa desde que completou 18 anos. Hoje com 23, se orgulha de dizer que todas as barcas têm algum tipo de preparação por lá. “Até meu pai entrou na onda quando comecei a fuçar nos carros e não quer saber de nada original”, conta. Quando comprou esse VW Tiguan, inclusive, a ideia era deixá-lo como “estepe”, para dias de rodízio ou alguma emergência. Mas, depois de instalar um kit da APR K04. ficou difícil largar o brinquedo.

Com essa preparação, que rende em torno de 340 cv, Bruno se empolgou e partiu para uma série de modificações que deixaram o VW invocado e pronto pra briga. Depois de cuidar da suspensão com um jogo de coil-over da KW, ele instalou rodas aro 20”, réplica de BBS e também um sistema de freios da Stop Tech, americana, com fluído DOT 4 Racing e aeroquip. “É fundamental modificar freio e suspensão para harmonizar com a nova potência. Caso contrário, o carro fica perigoso”, completa o consciente dono.

Assim como no Q3, a preparação pode ser modificada pelo usuário. No caso de Bruno, ele utiliza um aplicativo, o APR mobile, para adequar os mapas de injeção ao tipo de combustível utilizado (preferência para gasolina Podium), assim como a função manobrista. Como se considera um heavy user, daqueles que fuça e quer saber tudo do carro, Bruno se diverte também com outras informações que a APR disponibiliza, como pressão de turbo, lambda…

No interior, um Sprint Booster foi instalado, mas fica desligado na cidade, pois o pedal fica muito arisco. “Na estrada, onde a Tiguan engana muita gente, uso no mais nervoso”, afirma o proprietário, mais do que satisfeito com seu SUV.

Texto e Fotos João Mantovani